Copa fora do compasso
Rodolfo Oliveira - JORNALISTA >>
A virada do ano trouxe consigo a proximidade com a Copa do Mundo de Futebol a ser realizada no País em 2014. Há pouco mais de dois anos para o início de um dos maiores eventos esportivos do planeta, muito ainda precisa ser feito.
Dados do Portal da Transparência do Governo Federal, uma iniciativa da Controladoria-Geral da União para assegurar a boa e correta aplicação dos recursos públicos, apontam que, dos R$ 27 bilhões previstos em investimentos municipais, estaduais e federais, foram contratados até agora apenas R$ 9,8 bilhões e executados apenas R$ 1,4 bilhões.
Isso significa que pouco mais de 5% das obras foram executadas. Analisando-se especificamente os investimentos federais, a situação é mais dramática ainda.
Do total previsto de investimentos em aeroportos, R$ 7 bilhões, foi contratado somente R$ 1,5 bilhão, e executados a ínfima quantia de R$ 224 milhões, ou pouco mais de 3%. Em relação aos investimentos portuários, o número é o pior possível. Dos R$ 899 milhões previstos, absolutamente nada foi contratado, nem um mísero real.
Os investimentos nos estádios, o principal palco do espetáculo, também engatinham. Do total previsto de R$ 3,3 bilhões, a quantia de R$ 2,2 bilhões foi contratada, mas apenas 276 milhões foram executados, ou pouco mais de 8% das obras. Tudo isso às vésperas da Copa, já que dois anos, sob a perspectiva empreendedora, é prazo assaz curto.
A área da mobilidade urbana também patina. Dos R$ 7,9 bilhões de financiamento previsto pelo governo federal, apenas R$ 1,7 bilhão foi contratado, sendo que as obras executadas não passam de R$ 75 milhões, ou irrisórios 1% do total.
Mais do que nunca, com os olhos do mundo voltados para um Brasil que, a cada dia, ganha destaque internacional, é preciso fazer com que essas obras não só andem, a despeito da burocracia, como também sejam realizadas de maneira lícita, uma vez que se trata de uma polpuda verba do dinheiro do contribuinte.